domingo, 20 de outubro de 2024

Até onde eu devo aguentar

 Anos depois volto a escrever mais melancolias do que sabores coloridos. Após anos volto a ter decepções mal curadas e amores desatinados. Depois de voltar, ir, voltar novamente e tentar de novo, de novo e de novo, talvez tenha encontrado alguém que fique. Mas a preço de quê?

Tive que escolher, tive que abandonar, tive que esquecer, tive que preencher, tive que morrer para renascer. Estou tendo que morrer para renascer. Preciso de ajuda para compreender o que me faz doer tanto a ponto de chorar até esquecer o meu nome, mas não esquecer você. 

E desde quando se pode nadar quando você já está numa boia de salvação e o tesouro afundou? Todo o seu trabalho, esforço e dedicação com o mapa do tesouro se resolveu em um processo de decisão tão sério que ou eu me salvava ou me afundava junto com ele.

E quem me perguntou se eu queria que fosse assim? Ninguém. Ninguém me perguntou se eu queria que fosse assim. Ninguém me perguntou se eu queria ter afundado. Ninguém quis saber qual era a minha decisão. E infelizmente ela foi a pior possível - Me agarrar ao que não estava me ajudando a sobreviver, enquanto outras pessoas me puxavam para o outro lado. E quase que a corda não aguenta. Quase que eu vou junto do tesouro. 

Eu tenho certeza absoluta que ele iria me matar, mas eu romantizei e idealizei tanto tudo isso que eu morreria por essa história. Eu não me importaria de matar ou morrer. E eu fiz. Tive que morrer, por dentro. Ou por fora. E uma luz me salvou. 

Hoje eu sigo morta, mas não como Brás Cubas e suas memórias póstumas, mas como cinzas de uma fênix que ainda são apenas cinzas. 

Porém, ao mesmo tempo, sigo iluminada por um Raio de Sol muito saudável e feliz, que todos os dias completa a minha energia pra que eu continue minha jornada. Ela sabe que eu estou quebrada por dentro. Ela sabe que eu não estou respirando. Ela sabe que os meus batimentos estão próximos a zero. Ela sabe. Mas mesmo assim ela continua do meu lado. E tudo isso é porque ela não se ama? Ou porque eu tenho algo de muito importante em mim que ela resolve fazer isso? Não. É porque eu também a amo. E a parte de mim que ainda respira, é para fazê-la bem, fazê-la feliz. Ela me tirou do fundo do mar, ela foi a corda que me puxou. Me machucou um pouco com suas amarras firmes, mas quem sabe se não era apenas firmeza que eu estava precisando?

Por enquanto, sigo morta, mas fazendo um raio de sol brilhar e dando tudo o que consigo, tudo o que posso, tudo que sou como um cadáver em renascimento. Ela já me viu brilhar e tem fé nisso, mas eu não sei no que ter fé. 

Só sei que devo até onde aguentar. E se eu não aguentar, tenho certeza que ela também não vai me perdoar. Assim como o meu tesouro. Assim como eu mesma.