terça-feira, 22 de maio de 2012

A simplicidade que me faltava.

Caminho na estrada silenciosa, ausente de automóveis ou de qualquer carruagem puxada a cavalos da corte real. As folhas alaranjadas caem ininterruptamente, porém mais lentamente do que um minuto do relógio de ouro. Atrás de mim há o meu rastro de tropeços, de saltos, de pisadas desequilibradas à firmes e logo atrás há um banco branco. Bando do qual sentei, relaxei e acabei adormecendo. Aqui estou eu sozinha com o tempo, sem entender se algo mudou, se passou ou se continua no passado do qual queria fugir. Descobri que o tempo passou e que eu não precisei tomar atitudes trágicas para que tudo fosse embora, para que você fosse embora e me deixasse apenas dormir. A solidão a qual me submeti me fortalece, me alimenta e me acostuma a futuras passagens como essa. Não é por sua causa que vou mudar o meu modo de vida, você já veio e já se foi, deixou lembranças que por hora preferia não ter. Você não era o meu rei, eu não era sua margarida. Você não foi o meu sonhado príncipe do cavalo branco, muito menos príncipe, você era o cavalo. Cavalo que por hora era nobre e, contrariando a natureza dos cavalos domados, era terrivelmente áspero, duro como uma ferradura e doído como um coice. Lembranças que posso esquecer. Agora só olho para frente e as folhas já se demoram mais, as árvores poucas delas agrupam e os pássaros em menos ainda se escondem. Logo o lilás me chama a atenção e vejo a rosa que desabrocha devagar no meio das folhas caídas. Tudo começa a ficar verde, contrariando o inverno que estava para chegar, e as rosas ficam cada vez mais comuns até que o campo aparece. O meu primeiro sonho se realizou. O inverno chegou em volta, mas não ali. Eu era a moça de vestido branco num campo de rosas lilás e nada mais me parecia errado, não imaginaria algo mais perfeito, não poderia ficar mais feliz. Mas ainda me faltava algo. Um outro alguém me viu, e eu não o vi. Ele acenou e eu não respondi, ainda estava cega, não o percebi. Ele sorriu e eu o vi, enfim. Ele não está num cavalo branco, não parece nem um pouco um príncipe. Apenas, todo de branco, me admirava de longe e eu o admirava agora por ter me encantado. Enfim, achei a simplicidade que me faltava. 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Alma e pecador

Tudo se projeta no escuro
Nada mais é como antes
Tento até pular o muro
Nada muda nesse instante

Os dias não param
Meu ponteiro parou
Não obedece e separa
A alma do pecador

O corpo jaz na cidade
No tempo que continua
A alma na flor da idade
Não nota a nova lua

Que se põe e nasce
De novo e diferente
Pecador que alma não cace
Não será feliz novamente

Até que a luz aparece
Unindo alma e pecador
Até a tristeza desaparece
Ressurgindo aquele amor

O texto

E de novo em silêncio, com o vento batendo no meu rosto e levando meu cabelo, meu medo e minha ausência de coragem para admitir, até para mim mesma, que eu nunca te esqueci. A lua até tenta, mas a minha tristeza é tamanha que nem o seu brilho reflete mais nos meus olhos. As nuvens que deveriam te esconder somem, provando que o arrependimento é maior do que a culpa da qual me submetia até hoje. O que eu fiz? Pois é, nada, e esse foi o grande problema. Tive duas vezes o seu coração, e o entreguei de mão beijada as duas vezes. De primeira, tinha medo, tinha apenas 14 anos, não sabia de que forma o amor poderia me alterar e ouvi vozes que eu achei que eram experientes, não deveria ter ouvido. Não sentia nada daquilo que te dizia, mas na hora pareceu tão certo... fui tão idiota meu Deus! Mas até te ver com ''namorando'' no status de relacionamento tudo me parecia correto e, depois disso, tudo me pareceu ruir. Aquele homem, que me dava tudo o que eu precisava, amava outra e eu não soube lidar com isso. Foram as duas semanas mais longas da minha vida e eu acordava, andava e dormia com o coração na mão. Quando tirou: Vitória! Eu ia ser sua de novo, ia me entregar completamente como da primeira vez e consegui, por uma noite. A noite que de novo te destratei, deixei de lado. E você ainda tentou de novo, pobre garoto, eu poderia ter mudado minha vida com apenas um beijo. Mas não dei o beijo. Não mudei minha vida. Não aprendi a amar de novo. Tentei, juro. E nessa tentativa, descobri como era estar do seu lado da moeda. Lembrei de tudo e senti sua dor, o seu desapego necessário e o meu remorso, que agora havia triplicado. O seu amor? Era meu. Agora você pertence a a outra mulher que, pelo jeito, te faz feliz. Nada mais digno para você, nada mais duro para mim. Escrevo no escuro, onde forço a vista com um lápis e um papel, e deixo meu pensamento fluir no seu sorriso, escuto a sua voz e me vem carinho, ternura, amor. Amor? Sim. Você foi o primeiro HOMEM que, de fato, amei. O primeiro amor da minha vida e, pelo jeito, o que guardo aqui dentro nunca vai passar. Amor não passa. Amor dura. Está durando até hoje, está duro até hoje. A folha voa e um facho de luz da lua, agora encoberta, a ilumina como se fosse um tesouro. O meu tesouro é o texto que agora tem gostas de chuva e de lágrima. Guardarei o meu texto e quando a chuva passar, talvez eu te entregue ou talvez o guarde, talvez você devesse saber do meu amor ou da minha solidão. Talvez você terminasse o namoro, talvez viesse atrás de mim, ou talvez agradeceria pelo meu amor e guardasse o texto, como o nobre cavalheiro que você é. Guardaria o texto, me daria um beijo na testa e diria: ''Se cuida.'' Isso parece ser bem difícil sem você aqui pra me abraçar. Mas agora? É tarde, você se foi e a chuva não passou.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Falar de amor.

Falar de amor .. de novo? Pra quê ? Só pra os enamorados terem o prazer de jogar na sua cara que eles têm um amor e você não? Não. Porque se o amor fosse só entre homem e mulher, com a relação afetiva dos namorados, noivos e casados, não existiria tudo. O primeiro amor que temos é o amor dos pais, eles nos dão amor, e nós retribuímos com risadinhas. Depois vem o amor da família, o amor que nos dão retribuímos decorando os nomes deles. Após isso, vem o amor de amigos, que muitos conseguem ter logo na infância, e em alguns casos, duram pra vida toda. Esse amor, a amizade, é o melhor e o pior de todos, são os melhores momentos passados juntos, costuma ser para sempre, mas quando não é, é a pior separação. Logo após a infância, nosso humilde coração começa a se apaixonar. Essa tal de paixão costuma arrasar o coração de todo mundo, difícil é alguém que foi feliz em todos os seus relacionamentos, ou no seu único (hoje não existe mais isso, não se iludam). Costuma também a ser motivo de felicidade constante, porém, existe a parte negra da paixão, citada encima: as circunstâncias e os acasos. Você pode estar feliz numa hora, mas de uma hora pra outra, acontece algo que você tem que deixar de lado a pessoa ou seja lá o que for. Se essa circunstância ou acaso for vencido, a paixão vira a chave da porta para o amor. Como? Vou explicar: Nós nos apaixonamos por pessoas, por hobbies, por coisas e até por sentimentos. Qual mulher nunca se apaixonou por um sapato que viu na vitrine? Qual homem nunca se apaixonou pela camisa mais nova do seu time? Quem nunca foi assistir a um time, ou a uma banda, por ser 'apaixonada' ? Pois é. Mas quando isso tudo vira amor? Simples. Quando os defeitos do outro, seja uma pessoa, um hobbie, uma coisa ou um sentimento não importa mais, quando todos os momentos com aquela pessoa são os melhores possíveis, quando você começa a trocar outros compromissos para fazer aquilo, ou para estar com alguém, é, isso é amor. Quando você começa a se doar sem medidas, e se esforça para fazer aquela pessoa feliz, ou para te fazer feliz fazendo o que você gosta. Quando se ama, se vive num mundo totalmente feliz, onde tudo é conto de fadas, onde você consegue esquecer todos os problemas, consegue esquecer a hora, consegue esquecer tudo o que poderia te deixar triste quando está com o objeto amado. Você nunca vai deixar de amar alguém, ou alguma coisa. A distância pode separar, a morte pode separar, mas se for realmente amor, você NUNCA vai esquecer. Sabe porque o amor nos faz esquecer tudo o que a realidade nos proporciona, tudo o que a verdade nos dói, tudo o que nos abala no dia-a-dia, enfim, todas as coisas ruins que podem nos acontecer? Porque o amor é o que temos de mais próximo à magia, e na magia .. tudo pode acontecer. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Poemas de saudades.

Antes existiam românticos
Que em forma de cânticos
Nos mostravam o amor


Antes, aqueles que escreviam
Eram os que sentiam
Algo mais do que a dor


Eram muitos os que paravam
E se deslumbravam 
Com o belo luar


E o amor se construía
Baseado na alegria
De corações a cantar


Quanto maior era a harmonia
Das notas do dia-a-dia
Maior era a felicidade


E, se longe ficavam
Os poetas se revelavam
Em poemas de saudades


Sabendo que o amanhecer
É uma forma de renascer
E uma esperança que se faz


As estrelas são cantadas
E a manhã esperada 
Para esquecer dias atrás.