quarta-feira, 16 de maio de 2012
O texto
E de novo em silêncio, com o vento batendo no meu rosto e levando meu cabelo, meu medo e minha ausência de coragem para admitir, até para mim mesma, que eu nunca te esqueci. A lua até tenta, mas a minha tristeza é tamanha que nem o seu brilho reflete mais nos meus olhos. As nuvens que deveriam te esconder somem, provando que o arrependimento é maior do que a culpa da qual me submetia até hoje. O que eu fiz? Pois é, nada, e esse foi o grande problema. Tive duas vezes o seu coração, e o entreguei de mão beijada as duas vezes. De primeira, tinha medo, tinha apenas 14 anos, não sabia de que forma o amor poderia me alterar e ouvi vozes que eu achei que eram experientes, não deveria ter ouvido. Não sentia nada daquilo que te dizia, mas na hora pareceu tão certo... fui tão idiota meu Deus! Mas até te ver com ''namorando'' no status de relacionamento tudo me parecia correto e, depois disso, tudo me pareceu ruir. Aquele homem, que me dava tudo o que eu precisava, amava outra e eu não soube lidar com isso. Foram as duas semanas mais longas da minha vida e eu acordava, andava e dormia com o coração na mão. Quando tirou: Vitória! Eu ia ser sua de novo, ia me entregar completamente como da primeira vez e consegui, por uma noite. A noite que de novo te destratei, deixei de lado. E você ainda tentou de novo, pobre garoto, eu poderia ter mudado minha vida com apenas um beijo. Mas não dei o beijo. Não mudei minha vida. Não aprendi a amar de novo. Tentei, juro. E nessa tentativa, descobri como era estar do seu lado da moeda. Lembrei de tudo e senti sua dor, o seu desapego necessário e o meu remorso, que agora havia triplicado. O seu amor? Era meu. Agora você pertence a a outra mulher que, pelo jeito, te faz feliz. Nada mais digno para você, nada mais duro para mim. Escrevo no escuro, onde forço a vista com um lápis e um papel, e deixo meu pensamento fluir no seu sorriso, escuto a sua voz e me vem carinho, ternura, amor. Amor? Sim. Você foi o primeiro HOMEM que, de fato, amei. O primeiro amor da minha vida e, pelo jeito, o que guardo aqui dentro nunca vai passar. Amor não passa. Amor dura. Está durando até hoje, está duro até hoje. A folha voa e um facho de luz da lua, agora encoberta, a ilumina como se fosse um tesouro. O meu tesouro é o texto que agora tem gostas de chuva e de lágrima. Guardarei o meu texto e quando a chuva passar, talvez eu te entregue ou talvez o guarde, talvez você devesse saber do meu amor ou da minha solidão. Talvez você terminasse o namoro, talvez viesse atrás de mim, ou talvez agradeceria pelo meu amor e guardasse o texto, como o nobre cavalheiro que você é. Guardaria o texto, me daria um beijo na testa e diria: ''Se cuida.'' Isso parece ser bem difícil sem você aqui pra me abraçar. Mas agora? É tarde, você se foi e a chuva não passou.
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