sábado, 17 de maio de 2014
Saudades.
E então, me desfaço das roupas que ainda estão no meu corpo e me olho no espelho. Não há marcas, não há sinais, apenas está limpo. Chego mais perto, meu rosto está normal, meus lábios rachados, cabelos penteados, nada está fora do lugar. Eu sinto frio, um frio estranho, como se eu sentisse falta do toque. Minha pele está sensível, e parece que em tudo o que toca, há um choque. Choque de temperatura, choque pelo toque, ou pela saudade dele. Sinto falta das marcas de amor, da mão espalmada na minha coxa, das marcas roxas em todas as partes tocadas pela sua boca, dos pontos vermelhos que eram marcados pelos seus dedos quando ali pressionavam. Dos cabelos bagunçados por terem sido puxados, ou ao menos acariciados pela sua mão que fazia o caminho da nuca ou um carinho na cabeça. Nada. Não havia mais nada ali, a não ser a saudade do seu toque, da sua respiração no meu ouvido, de um "Eu te amo, sabia?" no pé do ouvido, falado tão sussurrado e pausado, que eu poderia relembrar até o último dia da minha vida. Saudades de quando você me pegava no colo apenas para me provar que você não era tão fraco e eu não era tão "gorda". Saudades de quando você me proporcionava um terrível ataque de cosquinhas apenas para me ouvir gargalhar depois de você ter feito algo que me deixou com raiva. Saudades dos seus dedos nas extremidades da minha boca puxando para que se formasse um sorriso, que de acordo com você, era o sorriso mais lindo da face da terra. Saudades dos teus abraços por trás, da sua cabeça encostada no meu ombro, ou da minha encostada no seu peito. Saudades dos teus carinhos no meu cabelo enquanto eu tentava inutilmente prestar atenção na aula. Saudades de velar o teu sono, enquanto nos deitávamos depois do almoço pra tirar um cochilo, e eu sempre esperava você dormir pra te olhar por longos minutos. Saudades de te fazer suspirar com minha respiração no seu pescoço, ou por meia dúzia de palavras das quais eu sabia que tinham algum efeito, nem que elas fossem: Torta de limão e bolo de chocolate. Elas nunca falhavam, você sempre sorria com elas. Saudades das nossas brigas por bobeiras, e mais ainda da reconciliação que costumava ser extremamente romântica. Saudades, por fim, do começo, mas nada melhor que um recomeço para fazer tudo voltar a ser como era antes.
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