Música. Microfones.
Alguém de fora.
Uma cama de solteiro e respirações cruzadas.
Flashback.
Silêncio. Deveria ser feito. Deveria.
Músculos da boca se moviam freneticamente.
Mãos se perdiam embaixo dos...
Não tinham lençóis.
Alguém estava ao lado.
Silêncio que não fora feito.
Espionagem fora de hora.
O flagra silencioso revelado apenas mais tarde.
O último suspiro satisfeito e a entrega a Morfeu.
Uma pizza. Voz e violão. A chuva que rompia o céu.
Cantava pra mim sorrindo.
Como se fosse sua.
Apenas sua.
Eu me senti sua.
Ainda havia alguém de fora.
Observando a tragédia.
Dia 16 de julho.
Bar. Bebida. Música alta.
Tentação dupla.
Opostas de corpo e de alma.
Opostas de cor. Afinidade.
Amor duplo.
O fraterno e a paixão.
A de ontem e a de hoje.
As primeiras.
Drinks. Doses. Três.
Respirações inconstantes. Inúmeras distrações.
Pontos sendo tocados.
Lugares sendo mexidos.
Coração sendo reavivado.
Sem saber.
O sentimento corria livre. Grudou.
Como chiclete. E não quer sair.
Tecidos se esvaiam.
Um arco-íris era formado.
No chão. Na cama. No peito.
E mesmo com todo respeito.
O medo não existia.
O limite. Os costumes.
Principalmente a preocupação.
Batida lenta. Ritmo lento.
Gostoso. Maliciável.
Sussurros. Várias línguas.
Talvez duas ou três.
De uma vez.
De uma só vez.
Apenas duas, após.
Era amor.
Eu estava certa.
Mas. Eu não podia.
Eu não poderia pensar assim.
Pensei.
Espelhos da alma se cruzavam.
Respirações. Mais respirações.
Batimentos e batidas.
Percussão viva.
Uma falhada.
Duas.
Três.
Cinco.
Morfeu.
E fim.